Studium MortisFormando quem chega na hora certa há cerca de dois mil anos
Nota de falecimento, em caráter preventivo

Lamentamos informar: um dia, você também vai constar na Lista.

A data, não informamos. A Lista informa a janela, nunca o minuto. Enquanto ela não fecha, este é o portal da instituição que forma quem vai estar lá quando fechar.

O Conselho do Studium Mortis, com o pesar protocolar de sempre

Conhecer a instituição
Fachada de pedra do Studium Mortis à noite, com o portão entreaberto
A fachada, à noite. Uma janela acesa, como sempre.

Avisos da semana

Mural de cortiça com avisos antigos presos por alfinetes
O mural de avisos do saguão.
Segunda

O Conselho decide. Pautas com quarenta itens, sessões de seis horas.

Terça

Não há regra oficial para as terças. Ainda assim, a casa recomenda atenção.

Quarta

Dia de processos e intimações. Terça de coleta, quarta de processo.

Quinta

Valquírias em folga de campo no campus. Evite debates nos corredores.

Domingo

Dia do silêncio. A instituição não expede, não audita, não emenda.

Boletim, em resumo

Corregedoria

Visita encerrada

A Corregedoria do Fim encerrou a visita deste ciclo e deixou relatório lacrado na mesa do decano. A casa não comenta relatórios lacrados. Também não os abre na frente de visitas.

Infraestrutura

Terminal de expedição

O fax segue em operação. O ar-condicionado da sala também segue, pingando num balde desde 1987. A manutenção informa que o balde foi trocado.

Estrutura

Novo departamento

A casa instalou um departamento novo, o primeiro em dois mil anos, na soleira. O ato está no Boletim Oficial, com número de protocolo. Este portal não reproduz o Boletim: indica onde ele está.

Ler o Boletim Oficial

Sobre este portal

Este portal está sob o Juramento do Art. 1º. Ele pode omitir, embalar ou ficar calado. Não pode mentir.

Circula fora da casa um relato sobre esta instituição. O Conselho não comenta o conteúdo. O Conselho também não o desmente, por motivos que constam no Art. 1º.

A instituição

O Studium Mortis foi fundado há cerca de dois mil anos para resolver um problema simples: a morte acontecia em toda parte, e ninguém a organizava.

Antes da casa, cada cultura cuidava dos próprios mortos. Psicopompos guiavam almas, valquírias escolhiam guerreiros, o Duat pesava corações e as Moiras cortavam fios. Ninguém conferia o trabalho de ninguém. Havia fios cortados duas vezes, sopros sem mão para recebê-los e fins sem nenhuma testemunha.

O fundador, e decano até hoje, é Yama, o primeiro mortal a morrer. Por ter morrido primeiro, não foi recebido por ninguém. Foi também o primeiro a chamar isso de erro de procedimento. Ele reuniu as três Moiras e as tradições numa soleira: uma casa estreita, erguida dentro do muro antigo, que não é nem rua nem campus. Um limite literal entre os vivos e o resto. Ali foi redigido o Art. 1º, antes de qualquer outro. A casa ainda está lá, e a instituição ainda a chama de soleira.

Houve um convidado que recusou a cadeira. Tânato, irmão gêmeo de Hipnos, registrou em ata, na fundação: "Alguém precisa ficar de fora para ver se vocês estão fazendo direito". Ficou de fora. Dirige a Corregedoria do Fim até hoje.

Cronologia oficial

Aparelho de fax bege antigo com papel térmico saindo
O fax da casa, em serviço desde os anos 1970.
PeríodoRegistro
Ano 1Fundação numa soleira. Redação do Art. 1º, o Juramento. A casa ainda não tem nome. Os mais velhos a chamam até hoje de "a Casa".
1348A maior maré da história. Havia mais fios em tensão terminal do que ceifeiros para recebê-los. Aprovação dos Arts. 5º, 14 e 18 no mesmo ano. O Conselho discute a combinação dos dois primeiros desde então.
Depois de 1348A Casa adota o nome latino Studium Mortis, cria disciplinas e a Disputa, e passa a funcionar como escola.
Séculos seguintesQuarenta e sete emendas aprovadas. Uma quadragésima oitava, abandonada.
Anos 1970Chegam o fax e os terminais de expedição. Nada foi aposentado desde então: o fax continua, o giz continua, a cera continua.
HojeUm departamento novo, o primeiro em dois mil anos, instalado na soleira.

Estrutura

Sala do Conselho com mesa longa, luminária verde e vela vermelha
A sala do Conselho. A cabeceira tem dono desde a fundação.

A casa é governada por um decano e um Conselho. Toda decisão importante vira ata, emenda ou despacho, e tudo sai em triplicata.

ÓrgãoQuemFunção
DecanoYamaPreside o Conselho, assina com selo de cera e entrega pessoalmente as autorizações de residência, sem testemunha.
ConselhoO decano e as cadeiras de Fiação, Medição e CorteHomologa a Lista e decide às segundas. Convoca Disputas extraordinárias.
Fiação e MediçãoCloto e LaquesaLeem os fios e expedem a Lista.
CorteÁtroposConduz as Disputas e audita a Escola.
Escola e CursoA diretora e os docentesDo berçário à residência.
ArquivoA ArquivistaTrês subsolos. Não atende ao público.
Secretaria do ConselhoNehebAtas, Boletim Oficial, inventários.
Departamento novo—Instalado na soleira. Detalhes no Boletim Oficial.

Calendário da casa

Calendário de parede antigo com um dia circulado em vermelho
Calendário da casa. O dia em vermelho ninguém explica.
DataO que se marca
Dia da FundaçãoAniversário da casa, comemorado com uma sessão extraordinária do Conselho, que é a ideia de festa desta instituição.
Semana de 1348Memória da Grande Maré. Uma semana sem piadas sobre fila no refeitório.
2 de novembroFinados entre os vivos. A casa não fecha. É o dia em que os vivos mais falam com o ar.
FormaturaEntrega das autorizações de residência, no gabinete do decano, sem plateia e sem discurso.

Campus

O campus nunca mudou de lugar. A cidade é que cresceu em volta dele. Para os vivos, é um patrimônio tombado com portaria e um horário de visitação que ninguém consegue encontrar no site. Este site, aliás, também não informa.

Toque num prédio para ler o registro.

Claustro de pedra à noite com uma amendoeira e mariposas em volta da lâmpada
O claustro, à noite. As mariposas não sabem que dia é.
AvenidaRua do PostoPostoGabinete do decanoAnfiteatroPlenárioClaustroe o maternalA soleiraAnexo oestedepósito, vassourasRefeitórioEnfermariaPátio das amendoeirasDormitóriosberçárioterminalPrédio da FiaçãodesceArquivotrês subsolosN0 · 20 · 40 · 60 mSTUDIUM MORTIS · PLANTA DO CAMPUSArquivo · sem data · não alterarFOLHA1 / 1
Nenhum prédio selecionado.

O entorno

Rua estreita à noite com padaria fechada e amendoeira
O entorno. A padaria fecha cedo. A amendoeira, nunca.

Na esquina, um posto de gasolina cuja luminária é usada até hoje no estágio de Coleta Básica. Num raio de três quilômetros, o território do estágio de insetos: uma fruteira, duas luminárias de avenida, um prédio com cupim histórico e uma marisqueira. Mais longe, uma rodovia e um rio canalizado que os vivos esqueceram há cinquenta anos. A casa não esqueceu.

Formação

Um ceifeiro leva vinte e um anos para se formar. Não há curso de curta duração. O fim não tem pressa, só prazo.

A regra de ouro do currículo: a Escola nunca ensina nada que não passe pelo fim.

Requisitos

  • Ter um fim previsto. Todos os candidatos atendem a este requisito.
  • Saber que nem sempre vai ficar tudo bem, e não dizer que vai.
  • Aceitar que a Lista não participa da Disputa.

Etapas

Berçário antigo com berços de madeira e móbile de mariposas
O berçário. Os berços são numerados. O móbile, não.
EtapaIdadeConteúdo
Berçário0 a 3No prédio da Fiação, por uma economia administrativa que ninguém jamais revisou. Leitura de cores antes das letras.
Maternal4 a 6Cantigas de roda sobre o sopro, pintura com tinta preta, contação de histórias (todas sobre o mesmo tema) e recreio.
Escola7 a 12Fiação Básica, Retórica infantil, Coleta Básica (primeira coleta aos oito, numa luminária) e Coleta em Volume. Introdução, uma vez por mês, com conteúdo variável conforme quem estiver livre no Conselho.
Colégio13 a 15Turmas formadas por matrícula, que valem até a residência. Empatia Aplicada, nível básico. Luto dirigido, com animais de estimação.
Exame16Três partes: prova teórica, Disputa experimental e entrevista com o decano.
Curso16 a 21História das Mortes, Lógica do Corte, Fiação avançada, Retórica do Luto, Empatia Aplicada (oito semestres) e Coleta Progressiva.
Residência21O primeiro fio humano, sob o protocolo de presença. Autorização entregue pelo decano, em mãos.

Coleta Progressiva

Luminária de posto à noite cercada de mariposas
A luminária do posto, campo de estágio desde a primeira turma.
EstágioDuraçãoDetalhes
InsetosUm mêsRaio de três quilômetros. Cerca de quatro mil coletas por dia. Cada aluno recebe um contador manual de metal e um formulário de sessenta páginas. Dedetização é maré de inseto, e ninguém avisa.
SilvestresSemanasMatas, córregos e estradas, sob supervisão de Chico do Mato. Inclui a primeira maré profissional.
PeixesUma semanaRios urbanos, criadouros e aquários. O único estágio em que o ceifeiro não vê o produto: o sopro do peixe desce, sem bolha.
Pets profissionalVariávelClínicas conveniadas e salas de despedida. Treina o protocolo de terceiro: esperar a frase do dono terminar.

Empatia Aplicada

Duas cadeiras frente a frente com uma caixa de lenços entre elas
Empatia Aplicada. A caixa de lenços é material didático.

A disciplina que mais reprova na casa. O "repertório verbal permitido" tem onze frases que um ceifeiro pode dizer a quem parte sem violar o Art. 1º. A primeira é "estou aqui". A última é "pode ir". Nenhuma é "vai ficar tudo bem". A professora pede que a turma decore as onze e, em seguida, que as esqueça: "quem precisa da lista não aprendeu".

A prova final é uma só, no colégio e no Curso. Uma sala, um leito, um fim em curso, e uma instrução na porta: "Você não pode dizer que vai ficar tudo bem. Você não sabe. E a sua palavra sabe." No Curso, a prova acontece na enfermaria do campus, com voluntários que assinaram termo. A casa os chama de material didático. A casa não acha o termo estranho.

A Disputa

Plenário em semicírculo com um púlpito no centro
O plenário. O púlpito do centro é o lugar mais frio da casa.

Herdeira da disputatio medieval. O aluno sustenta um corte e depois o ataca, com igual empenho. A banca não avalia de que lado ele está. Avalia se ele consegue habitar os dois sem mentir em nenhum. A Lista nunca participa.

Notas

Notas de zero a dez, mais uma nota separada de conduta. Os relatórios de coleta usam três registros: "concluída com honra", "concluída" e "concluída com observação". A observação é o que mais pesa, porque fica no prontuário para sempre.

Taxa de aprovação: inferior à do Instituto Hipnos, que aprova cem por cento. A casa considera isso um elogio ao próprio método.

Regulamento

Dezoito artigos, um anexo de tarifas e quarenta e sete emendas. Abaixo, os artigos de interesse público. Os demais são de interesse do Conselho, o que é diferente.

Livro grosso aberto com fitas marcadoras e lacre vermelho
O Regulamento, edição de consulta. As fitas marcam os artigos que ninguém pergunta.
ArtigoTexto
Art. 1ºO Juramento. Quem jura diz a verdade, e a palavra jurada é incontestável.
Art. 5ºA Lista não erra.
Art. 9ºA Disputa e as suspensões. Parágrafo único: sob o Art. 1º, o ceifeiro afirma três verdades. Por que este fio. Por que agora. Por que ele.
Art. 14O que fazer quando a Lista erra.
Art. 15Mentir é falta capital.
Art. 18Quem redige uma emenda fica sob o Juramento do Art. 1º e precisa justificá-la.
Anexo ITabela de tarifas de Caronte, logo depois do Art. 18, onde ninguém lê nada. Consulte no balcão do Terminal de Travessias.

A Secretaria registra que a convivência entre os Arts. 5º e 14 está em discussão há quase setecentos anos. Sem previsão de conclusão.

As três verdades

Para confirmar ou suspender um corte, o ceifeiro afirma, sob juramento: por que este fio, por que agora, por que ele. Se uma delas não puder ser dita, o corte fica suspenso por um ciclo completo, um mês da casa, e o fio volta à Lista na expedição seguinte.

Protocolo de presença

Quarto silencioso com uma cadeira ao lado da cama arrumada
Protocolo de presença: a cadeira fica do lado de quem parte.
  1. O ceifeiro observa. O fio não deve ter ciência da presença.
  2. O ceifeiro acompanha.
  3. O ceifeiro não causa.
  4. No fim, o ceifeiro recebe.

O manual tem quarenta páginas explicando as quatro regras. Nenhuma fiscaliza a atenção.

Emendas

Gaveta de madeira com maços de papéis amarrados, um deles lacrado
Emendas extintas, amarradas por década.
EmendaSituação
1ª a 46ªAprovadas. Disponíveis no Arquivo, mediante formulário.
47ªAprovada. Criou o parágrafo único do Art. 9º.
48ªAbandonada. Os signatários não conseguiram justificá-la sob juramento.

História da Morte

Antes da casa, cada cultura tinha o seu jeito de lidar com o fim. A casa não substituiu nenhum. Contratou todos.

Escolha uma tradição para abrir o registro. Os resumos seguem o que as próprias tradições contam. A ironia deste portal é dirigida à burocracia da casa, nunca à fé de alguém.

Prateleira com balança, moeda, pena, lanterna de papel e escudo
Objetos de algumas das tradições que a casa contratou.

Nenhuma tradição aberta. Todas esperam. Esperar é o que elas fazem melhor.

Mortes em destaque

Fins de interesse público, em ordem cronológica. A casa registra. Não ranqueia, não comenta e não faz homenagem: homenagem é coisa de quem ficou.

As mortes anteriores à fundação foram recebidas pelas tradições que existiam antes da casa e constam do acervo por cópia. Os retratos são caricaturas do acervo, todas em preto e branco, porque a casa considera a cor uma forma de opinião.

Caricatura de Golias, em preto e branco
01

Golias

c. séc. XI a.C.

Por volta de 1020–1000 a.C., pela cronologia bíblica tradicional · Vale de Elá

Guerreiro filisteu de Gate, descrito em 1 Samuel 17 como um gigante. Desafiou o exército de Israel e foi derrubado pelo jovem Davi com uma funda e uma pedra. Não há registro histórico fora da Bíblia, então a data segue a cronologia tradicional.

Antes da fundação. Recebido pelas tradições da época.

Caricatura de Siddhartha Gautama (Buda), em preto e branco
02

Siddhartha Gautama (Buda)

c. 563 – 483 a.C.

Kushinagar, Índia · Muitos historiadores preferem c. 480 – 400 a.C.

Príncipe que deixou o palácio para entender o sofrimento, alcançou a iluminação e fundou o budismo. Pregou por cerca de quarenta e cinco anos. Morreu aos oitenta, segundo a tradição, no que os budistas chamam de parinirvana.

Antes da fundação. Recebido pelas tradições da época.

Caricatura de Sócrates, em preto e branco
03

Sócrates

c. 470 – 399 a.C.

Atenas

Filósofo que não escreveu uma linha e mudou o pensamento ocidental só com perguntas. Condenado por impiedade e por "corromper a juventude", bebeu cicuta. Recusou a fuga que os amigos tinham preparado.

Antes da fundação. Recebido pela tradição grega.

Caricatura de Alexandre, o Grande, em preto e branco
04

Alexandre, o Grande

356 – 323 a.C.

Babilônia, junho de 323 a.C.

Rei da Macedônia e aluno de Aristóteles. Em pouco mais de uma década, construiu um império que ia da Grécia ao Egito e à Índia. Morreu aos trinta e dois anos, de causa discutida até hoje.

Antes da fundação. Recebido pela tradição grega.

Caricatura de Aristóteles, em preto e branco
05

Aristóteles

384 – 322 a.C.

Cálcis, na ilha de Eubeia

Aluno de Platão e professor de Alexandre. Escreveu sobre lógica, ética, política, biologia e poética, e foi a base do pensamento ocidental por quase dois mil anos.

Antes da fundação. Recebido pela tradição grega.

Caricatura de Júlio César, em preto e branco
06

Júlio César

100 – 44 a.C.

Roma, 15 de março de 44 a.C.

General e político romano, conquistou a Gália e se tornou ditador. Reformou o calendário, que ainda carrega o nome dele em julho. Foi morto a punhaladas no Senado, nos Idos de Março.

Antes da fundação. Recebido pela tradição romana.

Caricatura de Augusto (Otávio), em preto e branco
07

Augusto (Otávio)

63 a.C. – 14 d.C.

Nola, Itália, 19 de agosto de 14 d.C.

Primeiro imperador de Roma. Encerrou um século de guerras civis e inaugurou a Pax Romana. Segundo Suetônio, despediu-se perguntando se tinha representado bem o seu papel na comédia da vida.

Antes da fundação. Recebido pela tradição romana.

Caricatura de Jesus de Nazaré, em preto e branco
08

Jesus de Nazaré

c. 4 a.C. – 30/33 d.C.

Jerusalém

Pregador judeu da Galileia e figura central do cristianismo. Foi crucificado em Jerusalém sob Pôncio Pilatos. Os Evangelhos narram sua ressurreição ao terceiro dia, fundamento da fé cristã.

Por respeito, a casa registra a data e se abstém sobre o restante.

Caricatura de Leonardo da Vinci, em preto e branco
09

Leonardo da Vinci

1452 – 1519

Amboise, França, 2 de maio de 1519

Pintor da Mona Lisa e da Última Ceia, anatomista, engenheiro e inventor de máquinas que só existiriam séculos depois. Deixou milhares de páginas de cadernos escritos de trás para a frente.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de William Shakespeare, em preto e branco
10

William Shakespeare

1564 – 1616

Stratford-upon-Avon, 23 de abril de 1616

Dramaturgo e poeta inglês, autor de Hamlet, Romeu e Julieta e Macbeth. Inventou ou popularizou centenas de palavras e expressões do inglês.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Isaac Newton, em preto e branco
11

Isaac Newton

1643 – 1727

Londres, 31 de março de 1727

Formulou as leis do movimento e a gravitação universal, desenvolveu o cálculo e decompôs a luz branca nas cores. Pelo calendário então usado na Inglaterra, nasceu no Natal de 1642.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Napoleão Bonaparte, em preto e branco
12

Napoleão Bonaparte

1769 – 1821

Ilha de Santa Helena, 5 de maio de 1821

General corso que se tornou imperador dos franceses e redesenhou o mapa da Europa. Deixou o Código Civil, que ainda influencia leis no mundo inteiro. Morreu no exílio, no meio do Atlântico.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Charles Darwin, em preto e branco
13

Charles Darwin

1809 – 1882

Down House, Kent, 19 de abril de 1882

Naturalista inglês, autor de A Origem das Espécies (1859). Formulou a teoria da evolução por seleção natural depois de uma viagem de cinco anos ao redor do mundo. Está enterrado na Abadia de Westminster.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Karl Marx, em preto e branco
14

Karl Marx

1818 – 1883

Londres, 14 de março de 1883

Filósofo e economista alemão, autor de O Capital e, com Friedrich Engels, do Manifesto Comunista. Suas ideias marcaram a política, a economia e a sociologia do século XX.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Thomas Edison, em preto e branco
15

Thomas Edison

1847 – 1931

West Orange, Nova Jersey, 18 de outubro de 1931

Inventor americano com mais de mil patentes, entre elas o fonógrafo, a lâmpada incandescente de uso prático e sistemas de distribuição de energia elétrica.

A casa registra que ele não respondeu quem acende a luz, mas chegou perto.

Caricatura de Mahatma Gandhi, em preto e branco
16

Mahatma Gandhi

1869 – 1948

Nova Délhi, 30 de janeiro de 1948

Líder do movimento de independência da Índia pela resistência não violenta. Foi assassinado a tiros quando seguia para uma oração.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Albert Einstein, em preto e branco
17

Albert Einstein

1879 – 1955

Princeton, Estados Unidos, 18 de abril de 1955

Físico das teorias da relatividade e Nobel de 1921 pelo efeito fotoelétrico. Recusou uma cirurgia no fim da vida: disse que queria partir quando quisesse e que prolongar a vida artificialmente era de mau gosto.

A casa registra a pontualidade.

Caricatura de John F. Kennedy, em preto e branco
18

John F. Kennedy

1917 – 1963

Dallas, Texas, 22 de novembro de 1963

Trigésimo quinto presidente dos Estados Unidos. Enfrentou a crise dos mísseis de Cuba e lançou o país na corrida para a Lua. Foi assassinado durante um desfile em carro aberto.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Elvis Presley, em preto e branco
19

Elvis Presley

1935 – 1977

Graceland, Memphis, 16 de agosto de 1977

O rei do rock. Misturou country, gospel e rhythm and blues e vendeu centenas de milhões de discos. Morreu aos quarenta e dois anos, em casa.

Expedição registrada no Arquivo. Há quem jure que não. A casa confirma que sim.

Caricatura de Ayrton Senna, em preto e branco
20

Ayrton Senna

1960 – 1994

Bolonha, Itália, 1º de maio de 1994

Tricampeão mundial de Fórmula 1, em 1988, 1990 e 1991, considerado um dos maiores pilotos da história. Morreu depois de um acidente na curva Tamburello, no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola.

Expedição registrada no Arquivo. Naquele domingo, o Brasil inteiro foi terceiro e falou com o ar.

Caricatura de Michael Jackson, em preto e branco
21

Michael Jackson

1958 – 2009

Los Angeles, 25 de junho de 2009

O rei do pop. Thriller é o álbum mais vendido da história. Redefiniu o videoclipe e a dança no palco.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Osama bin Laden, em preto e branco
22

Osama bin Laden

1957 – 2011

Abbottabad, Paquistão, 2 de maio de 2011

Fundador e líder da Al-Qaeda, responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001, que mataram quase três mil pessoas. Foi morto por forças especiais americanas no esconderijo onde vivia.

Expedição registrada no Arquivo. A casa registra também as quase três mil que vieram antes.

Caricatura de Rainha Elizabeth II, em preto e branco
23

Rainha Elizabeth II

1926 – 2022

Castelo de Balmoral, Escócia, 8 de setembro de 2022

Rainha do Reino Unido por setenta anos, o reinado mais longo da história britânica. Viu quinze primeiros-ministros passarem pelo palácio.

Expedição registrada no Arquivo.

Caricatura de Pelé (Edson Arantes do Nascimento), em preto e branco
24

Pelé (Edson Arantes do Nascimento)

1940 – 2022

São Paulo, 29 de dezembro de 2022

O único jogador tricampeão mundial, em 1958, 1962 e 1970, com mais de mil gols na carreira. Fez do futebol brasileiro uma linguagem que o mundo inteiro entende.

Expedição registrada no Arquivo. No velório, na Vila Belmiro, houve fila.

Registro histórico conferido pela Secretaria do Conselho. Onde as fontes divergem, a casa informa a divergência em vez de escolher uma versão.

Corpo docente e funcionários

A casa reúne tradições de morte de todas as culturas. Nem todas se dão bem. Todas cumprem a Lista.

Roca de fiar antiga com fios coloridos
Cloto · a roca
Tesoura antiga de cabo gasto sobre um diário de classe
Átropos · a tesoura
Duas réguas antigas alinhadas com um fio esticado entre elas
Laquesa · as réguas

Yama

Decano

O primeiro mortal a morrer e o profissional mais antigo do universo. Assina com selo de cera porque assinatura digital não tem dignidade. Quase nunca ri, nem se levanta. Ninguém o vê chegar.

Quando ri, é porque sabe de algo. Este portal não está autorizado a dizer o quê.

Cloto

Cadeira de Fiação

Fia todos os fios, sem pausa, nem aos domingos: fiar não é expedir. Ministra Fiação avançada sem parar a roca. "Eu fio o começo. O meio, o fio tece junto comigo. Só o fim é meu."

Laquesa

Cadeira de Medição

Mede tudo com a régua oficial. Tem uma segunda régua, de conferência, por desconfiança profissional de si mesma. Ministra Fiação Básica, na primeira série.

Átropos

Cadeira de Corte · Lógica do Corte

Conduz as Disputas. Passeia pelo campus como quem audita. Mantém o diário de classe em papel, porque chama o sistema eletrônico de "chamada por procuração".

Morrigan

História das Mortes

Voz de corvo, casaco de penas escuras e um corvo de verdade, que desce do ombro para um poleiro de ferro durante a aula. Conta dois mil anos em noventa minutos. Não aceita perguntas no primeiro dia.

Docente de Empatia Aplicada

Colégio e Curso

Psicopompo iorubá, de cabelos brancos curtos e colar de contas. A turma lê o colar como semáforo: contas paradas, tudo bem; contas girando, alguém vai ao quadro. Abre toda aula com a mesma frase: "Hoje vocês vão aprender o que não se aprende".

A Senhora das Lâmpadas

Coleta Básica

Supervisiona a primeira coleta de cada aluno, numa luminária de posto de gasolina. Nunca usou outra roupa além do uniforme, com uma lanterna no ombro que ninguém viu acesa.

Chico do Mato

Supervisor do estágio silvestre

Psicopompo velho, de chapéu de palha furado. Anda descalço na mata e de sandália na cidade. Não usa formulário: marca as coletas num bambu, a faca. Regra única do estágio: "A mata não é estatística. É fila com raiva."

Supervisor do estágio de insetos

Ceifeiro de campo veterano

De bigode e colete com bolsos demais. Fala de insetos com o carinho de um pescador falando de peixes. Distribui os contadores de metal às quatro da manhã: "O contador é para vocês não mentirem. Não que vocês consigam."

Samael

Maternal · aposentado

Psicopompo. Guiou almas por três continentes de religiões extintas e depois ensinou cantigas de roda. Usa um cardigã cor de vinho, presente "de uma senhora de Cartago". Nas folgas, canta como voluntário em enfermarias de hospital.

A diretora

Direção da Escola

Recebe cada turma no saguão com um discurso de três pontos, o terceiro sobre manchas de molho no uniforme. Tem sempre um cachorro aos pés. O atual se chama Segundo.

A Arquivista

Arquivo

Administra os três subsolos. Bibliotecária ou demônio de catálogo, a casa nunca decidiu. Responde por escrito, em fichas pautadas, e data quase todas.

Neheb

Secretário do Conselho

Escrivão formado no laboratório de Anúbis, no Duat. Redige as atas com uma caneta que nunca falha, etiqueta tudo em triplicata e lê termos de responsabilidade como quem lê poesia.

O corpo discente não é listado neste portal. A casa protege os alunos de duas coisas: da Lista, até a residência, e da fama, para sempre.

Onde estamos

No mesmo lugar desde o ano 1. A cidade é que chegou depois e ocupou o entorno. Abaixo, o campus e os estabelecimentos da região com os quais a casa mantém relação, convênio ou, no mínimo, divergência registrada em ata.

Praça Rio canalizado Studium Mortis Avenida Avenida R. da Fruteira R. do Posto R. da Clínica Trav. da Praça R. Sem Saída R. de Baixo Rodovia N 100 m

Dados cartográficos: Arquivo do Studium Mortis, conferidos em triplicata.

Arquivo

Três subsolos, dois mil anos de fichas e uma administradora que não atende ao público. Esta página é a parte do Arquivo que ela tolera que você veja.

Arquivo subterrâneo com estantes altas de fichas e uma escada de madeira
O subsolo três. A escada é da Arquivista. Não suba.

Para chegar ao balcão, desce-se uma escada de pedra que esfria a cada degrau e passa-se por uma porta de ferro com um aviso escrito à mão: "Silêncio. Os documentos estão dormindo." Não há campainha. Espera-se.

Ficha em exposição

Ficha de arquivo antiga sob vidro, com carimbo e lacre vermelhos
A ficha 000-001, sob vidro.
ENTRADA Nº 000-001
data: [inverno, ano registrado]
procedência: [em branco por decisão administrativa]
observações: o limiar recebe quem não pertence a lado nenhum.
— Y.

É a única ficha do acervo com assinatura. A Arquivista não explica.

Formulários

FormulárioPara que serve
F-1Termo de Juramento do Art. 1º. Assinado aos sete anos, renovado a cada etapa.
F-7Encerramento de coleta, em três vias. O mais usado da casa.
F-14Comunicação de possível erro da Lista. O mais raro.
F-40Pedido de adiamento. Indeferido por padrão. Cai no exame de admissão.
Termo de voluntariadoAssinado pelos humanos da prova final de Empatia Aplicada.

Glossário da casa

Ciclo
Um mês da casa. Unidade de prazo das suspensões.
Disputa
Debate formal em que se defende e depois se ataca um corte. A Lista nunca participa.
Fio
A vida de um ser, lida por textura, cor, espessura e tensão. Fios humanos têm todas as cores ao mesmo tempo. Fios de cão são dourados e grossos, os mais bonitos do acervo.
Integral
Vencimento que pode ocorrer a qualquer hora dentro da janela.
Lista
Rol de fios a coletar. Ninguém a assina. É costume.
Maré
Mortalidade em massa. A coleta vira logística, em fila.
Material didático
Termo oficial para os voluntários humanos da prova final de Empatia Aplicada.
Porta-na-hora
Exercício de Átropos: não olhar a coisa viva, mas o tempo dela. "A porta não fica nos lugares. Fica na hora."
Presente
A anotação mais comum dos diários de classe da casa. O arquivo guarda um diário de berçário, de uma turma de um aluno só, com cento e cinquenta e seis delas, na letra da cadeira de Corte.
Psicopompo
Guia de almas. Não morre. Aposenta-se.
Repertório verbal permitido
As onze frases que um ceifeiro pode dizer a quem parte. Da primeira, "estou aqui", à última, "pode ir".
Soleira
A entrada da casa. O limite entre os lados.
Sopro
O que sai pelos lábios no fim. Tem temperatura. Não fala, segundo a doutrina.
Tensão terminal
Estado de um fio que vai vencer e ainda não sabe. Tecnicamente, a definição de viver.
Terceiro
Vivo que acompanha uma morte. Quando o peito transborda, fala com o ar.
Último módulo
O oitavo módulo de Fiação avançada, "Leitura antecipada". Sem ementa, pré-requisito "a critério do Conselho". Nunca foi oferecido.

Acervo de gravuras

O acervo guarda cinquenta e cinco gravuras, uma para cada capítulo do relato. Elas saíram de ordem, e a Arquivista não pretende reorganizá-las sozinha. Três fases: catalogação, conferência e restauração. Na última, cada gravura precisa reencontrar o seu detalhe vermelho, e a Arquivista não tolera desordem.

Arquivo restrito: acesso apenas a quem já atravessou Studium Mortis: Limiar. A credencial é uma pergunta, e a resposta está no livro.

Descer ao acervo

Leia seu fio

Exercício de Fiação Básica, primeira série. Digite um nome e veja como a disciplina ensina a ler um fio: textura, cor, espessura e tensão.

Fios de lã de muitas cores sobre veludo escuro
Fios em observação.

Simulação didática. Nenhuma leitura desta página é oficial nem prevê coisa alguma. A régua oficial está com Laquesa e não sai do prédio da Fiação.

Exame de admissão

Prova teórica simplificada. Seis questões. A Disputa experimental fica para outro dia, porque a banca ainda não se recuperou da última.

Carteira escolar antiga com folha em branco, lápis e ampulheta
A carteira do exame. A ampulheta é do examinador.

1. A Lista erra?

2. O que o ceifeiro pode dizer a quem está morrendo?

3. Quem assina a Lista?

4. Em que dia a instituição não expede, não audita e não emenda?

5. Quanto custa a travessia de Caronte?

6. Sob o Art. 1º: por que você?

Ouvidoria

Registre sua manifestação. Ela será arquivada em triplicata, que é o destino de tudo nesta casa.

Caixa de sugestões de madeira com cadeado e lacre vermelho
A caixa da Ouvidoria. Lacrada, por segurança das sugestões.

Esta página não envia sua mensagem a ninguém. Ela registra, e registrar é o que a casa sabe fazer.